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Rodrigo Caetano relata experiência na Secom da UnB entre 2002 e 2008

Em 10/1/2013, 12:01 por Leyberson Pedrosa e Fernando Molina

Assessor e Secretário de Comunicação da UnB entre 2002 e 2008, o jornalista e biólogo Rodrigo Caetano conta como ajudou a implementar uma redação na comunicação institucional da UnB

Foto: Leyberson Pedrosa

A história da Universidade de Brasília também é marcada pela sua estrutura de comunicação institucional. Em entrevista para a UnB nos estúdios da UnB TV, o jornalista Rodrigo Caetano relata como, aos 23 anos, e após trabalhar na Redação do Correio Braziliense, assumiu os desafios de repensar a estratégia de comunicação institucional da universidade em 2002 frente às mudanças provacadas pela expansão da internet.

Caetano, que também é biólogo, participou dessa gestão durante seis anos entre 2006 e 2008. Primeiro, atuou como assessor de Comunicação e, em seguida, foi primeiro secretário de Comunicação da instituição após a reestruturação da área.

Formado em Biologia pela UnB e em jornalismo por uma instituição privada, ele e sua equipe lançaram em abril de 2002 um novo projeto que a transformava a assessoria em uma redação dividida por editorias de Pauta, Demanda, Online, Produção e Apoio. Logo depois, criou a UnB Agência para divulgar notícias diárias online sobre UnB, educação, ciência e tecnologia.

Confira alguns momentos da entrevista:

Criação da Secretaria de Comunicação

“Não era apenas uma nomeclatura. Quando cheguei em 2002, havia uma equipe de dez pessoas entre funcionários e tercerizados. Ao sair, a Comunicação tinha ganhado mais importância e começou a participar dos processos decisórios da universidade e estava com quase 40 pessoas. Ao longo desse período, os reitores perceberam a mudança estratégica de você ter um órgão melhor estruturado para dar conta das demandas de Comunicação.”

O papel da internet na época

“A UnB tinha recebido em 2000 a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC). Ela foi o centro das atenções e as pessoas queriam consumir informação de maneira mais veloz. Só que a internet ainda estava concentrada em bolhas do jornalismo impresso que migravam para a rede. Assim, foi uma das minhas primeiras missões na assessoria. Nesse período que atuei, houve três mudanças estruturais de todo o portal da Universidade. A gente profissionalizou, cada vez mais, os serviços do portal como ferramenta de interação, interlocução e interatividade.”

A vinda para a UnB

“Eu trabalhava no Correio Braziliense e cobria a área de educação, tecnologia e ciência exatamente por minha formação de jornalista e biólogo. Então, eu navegava com mais tranquilidade nessas áreas além de conhecer a Universidade porque ter estudado nela Quando fui chamado na gestão do ex-reitor Lauro Morhy, eu tinha vontade depassar minha vida inteira em redação e falei pra ele que eu viria desde que pudesse um diagnóstico e ter ferramentas para poder implantar um projeto de comunicação pactuado e necessário para a UnB. O nosso papel de do jornalista é transformar aquela pauta que pode ser algo extremamente técnico em um assunto mais interessante com uma linguagem muito acessível.”

Banco de Pautas

“Foi criado dentro do site um banco de pautas. Eu não posso sair da universidade e ter todos os contatos de professores em minha cabeça ou ter todas as pautas no meu computador. Aquilo tinha que se ser público, para impactar e mostrar para televisão, rádio e jornal o que era produzido dentro da UnB. Passamos os seis primeiros peses indo em todos os departamentos, institutos e faculdades para tentar acabar com um um ranço muito grande de alguns professores de não falarem com a imprensa pois se eles davam entrevista de 40 minutos, aquilo virava 15 segundos na matérias e ainda usam uma fala óbvia. Logo, tnha todo um desafio de tentar dialogar com o corpo técnico e de professores para que, aos poucos, entrassem nesse processo de comunicação institucional e pública. A editoria de produção funcionava baseada no factual com informações curtas sobre eventos, shows etc. Das pautas da universidade, a gente enviava os relises para as redações. Também tivemos um trabalho de montar um banco de fontes, lista de contatos. O curioso é que, depois de seis anos, já tinhamos um banco especializado capaz de apontar qual professor falava melhor para televisão sobre o comportamento das abelhas no inverno, por exemplo.”

Perfil da equipe

“Para uma estrutura dar certo, o principal é ter gente do seu lado. O dinamismo da redação de um jornal tinha que ser reproduzida na assessoria, era uma coisa meio darwiniana de adaptação de um local que vinha que era extremamente dinâmico e com a minha experiência de acompanhar determinadas assessorias e assessores e ter a noção o que o jornalista do outro lado do balcão queria e precisava, em que tempo, em que período. Está aí a minha aposta no portal, na agência no sentido de ter uma quantidade de informaões relevantes.”

Ciência e Jornalismo

“Quando eu entrei na Biologia eu tinha 16 anos. Aos 17 anos eu fiz faculdade particular e conciliei os dois cursos. Era engraçado porque as pessoas falavam: jornalismo e biologia? Eu trabalhava com biologia molecular, com genética para tratamento de câncer, entre outros. O processo da biologia era fascinante e eu consegui ordenar as minhas ideias e trazer o método científico aprendido para a comunicação. Eu tinha todos os relatórios e quantas pautas eram produzidas por mês, quantas matérias saíam, quais eram as matérias, quais eram os institutos que davam mais entrevista, quais eram os professores que davam mais entrevistas, quais eram os jornalistas que mais ligavam…. Aquilo era um processo de informação que estava sendo gerado e que iria me resultar em estratégia.”

Professor Amigo da Imprensa

“Eu tinha um mapa estratégico de onde precisava atuar para ter mais pauta. Também tinha que reforçar essa agenda com determinados professores que publicavam artigos científicos. Além disso, aproveitamos para se basear em uma experiência da organização não-governamental ANDI que dava prêmio de jornalistas amigos da criança. Assim, nós criamos os professores amigos da Imprensa. Era um almoço com o reitor, entregava-se uma placa, enfim, tentava-se devolver para os professores quantos atendimentos a gente fazia por mês. O editor mandava um e-mail ao professor dizendo que aqueles quarenta minutos de entrevista viraram isso ou aquilo.”

Questão de crises

“Eu passei por várias crises aqui dentro. A mais pesada foi a história do apartamento institucional do professor Timothy. A gente uma tinha uma relação com o corpo administrativo muito tranquila, profissional e de orientação. Mas evidentemente a assessoria de comunicação é um órgão técnico de assessoramento, a última tomada de decisão é de uma administração. Afinal, em qualquer lugar que você trabalha tem coisas que você concorda, coisas que você não concorda, então cabe a você decidir se você quer permanecer, se vai contra sua ideologia. Mas a primeira crise que eu passei foi com a história de uma prova que teria sido furtada do Cespe. Depois, teve a questão da cota pra negros, cartões corporativos, uma série de fatos que a gente tinha que saber lidar. “

Aprovação das cotas de negros

“Era uma sexta-feira e, numa das reuniões do Conselho Universitário (Consuni) foi aprovada as cotas para negros. Sexta-feira é um desespero para jornalista pois tem que fechar o jornal de sábado, de domingo e adiantar o de segunda-feira. Então, a gente fez um mutirão e começamos a dividir para ligar para veios de comunicação, avisando que a UnB era a primeira universidade federal a adotar cotas para negros. Virou até manchete no Correio Braziliense. Entramos no mérito do porque a universidade defendia e tinha sido aprovada democraticamente. Articulamos com professores para escrever artigos,conversamos com jornalistas de influencia. Tivemos que elaborar estratégias de comunicação, acompanhamos a a primeira turma dos alunos, o desempenho desses estudantes, pois Comunicacao só é estratégica se está junta para tomar decisões na instituição. Ela não só comunica, ela também participa. A questão do desempenho, por exemplo, não era pra dizer se era melhor ou ruim e sim para saber como os alunos estavam.”

Importância do planejamento

“Por isso eu defendo o planejamento pois se eu não souber o que quero de produto final, estou perdido. Se tenho uma questão importante na universidade que vai começar em julho, então eu teho que trabalhar em janeiro, fevereiro, em março para aquecer o assunto. Evidentemente, o planejamento é o norte, mas a bussola pode entrar em rota de colisão, como o foi no caso da cota de negros.”

A comunicação interna

“O desafio da comunicação interna, de fazer a comunicação para professores, servidores, para os alunos era um enorme desafio. Nos seis anos, demos um passo ainda muito pequeno iante das possibilidades. Em certo momento, chegamos a criar uma área de “endomarketing” e lançamos um projeto chamado UnB e Você. Eu acho que poderia ter ser feito mais. Mas aí, claro, precisaria de mais gente e mais recurso. Com o que eu tinha consegui caminhar um pouco, mas o desafio vai ficar para qualquer pessoa que passe pela Secretaria.”

Dedicação

“Ao longo do caminho, você percebe que o projeto foi pra frente. Eu tenho 15 anos de profissão e não tenho duvida de dizer que esses 6 anos foram os mais felizes e instigantes que tive. Durante a gestão, passaram cerca de 100 pessoas e teve gente que ficou comigo do início ao fim, todas embuídas desse espírito de acreditar no trabalho.”