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UnB e Brasília em revista

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Crônicas sobre a história do DF marcam reunião da Comissão UnB 50 Anos. Celebração do Jubileu tem atividades programadas até abril

 A capital federal e a Universidade de Brasília foram o centro das atenções da 31ª Reunião da Comissão UnB 50 Anos, realizada na tarde desta terça-feira (29). O Encontro contou com a presença de Conceição Freitas e Severino Francisco, jornalistas do Correio Braziliense dedicados a reportagens e crônicas sobre história, cultura e patrimônio do Distrito Federal.

A sessão começou com um minuto de silêncio, proposto pela professora Adalgisa Maria Vieira do Rosário, em homenagem às vítimas da tragédia em Santa Maria. As horas seguintes foram um presente para os participantes do encontro.

Conceição Freitas, para quem Brasília é vítima de estereótipos, tem se dedicado nos últimos anos a escrever textos ligados a histórias ambientadas no Planalto Central. “Se morasse noutra cidade, não seria a pessoa que sou”, comenta a jornalista, que considera uma das maiores conquistas de sua vida ter um filho estudando na UnB.

Acompanhando as atividades da UnB desde meados dos anos de 1980, Conceição acredita que para a população do DF, a Universidade de Brasília mantém seu lugar de centro cultural inovador nas formas de ensinar e de aprender “A expansão da universidade para as cidades satélites é uma coisa muito positiva. A UnB das cotas também me orgulha muito”, avalia.

“Temos de nos apropriar de nossa história”, provocou o jornalista Severino Francisco. Autor de diversos livros sobre a capital federal e seus personagens, como a biografia do artista Athos Bulcão, Severino acaba de lançar “Da poeira à eletricidade”, contando a trajetória da música em Brasília, desde sua fundação. 

Com um capítulo inteiramente dedicado ao departamento de música da UnB, principalmente dirigido às atividades realizadas pelo maestro Claudio Santoro, o livro traz registros surpreendentes e emocionantes como o relato dos shows que a Rádio Nacional promovia para os operários que construíram a cidade. “Em cima de caçamba de caminhão, por aqui se apresentaram lendas da música brasileira como Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga”, relatou Severino Francisco.

Severino cursou mestrado em literatura na UnB e também atuou como coordenador editorial da Editora Universidade de Brasília durante dois anos. “O mundo mudou muito, mas não se pode perder o ideal da UnB ser um centro de referência”, afirmou.

A presença de Conceição Freitas e de Severino Francisco na reunião foi saudada pelos membros da Comissão UnB 50 Anos. Para o professor José Carlos Coutinho, trata-se de pessoas que o Distrito Federal precisa ocupando espaço na imprensa. “Fico impressionado como conseguem, todos os dias, escrever coisas novas e relevantes sobre Brasília, com opiniões tão bem fundamentadas e lúcidas”, concluiu. 


MOSTRA DE FILMES – O Encontro da Comissão UnB 50 Anos teve espaço ainda para relatos de atividades realizadas em comemoração ao cinquentenário da Universidade. O professor Ricardo Trevisan e a mestranda Liz Sandoval (FAU) apresentaram os resultados da mostra de filmes “Luz, Câmera, Brasília”.

O evento, realizado em outubro no Museu Nacional Honestino Guimarães, reuniu filmes e documentários produzidos ao longo dos últimos cinquenta anos por cineastas cuja história de vida também se atrela à Universidade de Brasília. Segundo Trevisan, “a mostra pretendeu destacar a produção cinematográfica ligada ao universo acadêmico, à construção da Capital e da UnB, à consolidação da metrópole brasiliense e ao seu cotidiano”.

Os cinéfilos tiveram a oportunidade de ver e rever obras raras como “Vestibular 70” (1970), de Vladimir Carvalho, “Universidade de Brasília: primeira experiência em pré-moldado” (1962-1970), de Heinz Forthmann, “Kiss, Kiss, Kissinger” (2007), de Jimi Figueiredo e “Brasília, contradições de uma cidade nova” (1967), de Joaquim Pedro de Andrade. 

Integrante da Comissão UnB 50 Anos, o professor Isaac Roitman sugeriu que a mostra se repetisse todos os anos, proporcionando aos estudantes uma melhor compreensão da história da UnB e da cidade. A Comissão aprovou a proposta e programou uma segunda edição para os dias 8 e 12 de abril, acrescentada de obras que integraram atividade organizada durante o último Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

TEORIA DA DEPENDÊNCIA –  A realização do projeto “O Papel das Ciências Sociais na UnB” (Instituto de Ciências Sociais), coordenado pelo professor Sadi Dal Rosso, também integra as comemorações do Jubileu. A iniciativa mapeou professores, funcionários e de todos os alunos – da graduação ao pós-doutorado, que estudaram no ICS. Relato sobre as ações realizadas foi apresentado pelo professor Sadi, empenhado em investigar as contribuições da UnB ao pensamento sociológico.

Segundo Sadi, as bases, por exemplo, da Teoria da Dependência começaram a ser desenvolvidas nos corredores do Minhocão (ICC). Trata-se de uma interpretação dos processos de reprodução do subdesenvolvimento na periferia do capitalismo mundial. Um dos principais formuladores desta perspectiva, o economista e sociólogo alemão Andreas Gunder Frank, falecido em 2005, lecionou na UnB a convite de Darcy Ribeiro, antes do golpe de 1964.

Na 31ª Reunião da Comissão UnB 50 Anos também houve diálogo sobre parceria da Universidade com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Arquiteto formado na UnB, José Leme Galvão Junior é superintendente do órgão no DF e propôs ações conjuntas de preservação. 

“O IPHAN pode contribuir com ações e publicações de promoção do patrimônio da Universidade, a começar pelo ICC e pela Casa de Niemeyer”, propôs. As atividades conjuntas estão sendo debatidas com a administração superior da Universidade.