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Universidade da Califórnia Davis homenageia José Dianese

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Escrito por Cristiano Torres

Professor emérito recebe o Emil M. Mrak International Award 2013, em 1º de fevereiro, em solenidade na Universidade Califórnia-Davis, em San Jose, EUA

publicado originalmente em unb.br

LF Barcelos/UnB AgênciaPesquisador de renome internacional, com uma vida inteira dedicada ao fortalecimento da ciência e do ensino superior, o fitopatologista e professor emérito José Carmine Dianese receberá, no próximo dia 1º de fevereiro, o Emil M. Mrak International Award 2013 em solenidade realizada pela Universidade da Califórnia Davis (UC Davis), na “San Jose City Hall Rotunda”, em San Jose (CA), Estados Unidos.

O prêmio anual, concedido por uma das mais importantes universidades norte-americanas, é homenagem aos ex-alunos que se distinguem na carreira por serviços relevantes prestados à ciência fora dos Estados Unidos. José Carmine Dianese é o primeiro brasileiro a receber um PhD em Fitopatologia na UC Davis, em 1970, e é também o primeiro brasileiro – e o segundo latino-americano – a receber a atual honraria, que será entregue no próximo mês.

O professor emérito deu contribuição ao estudo de doenças de plantas no Brasil e avançou especialmente nos estudos da biodiversidade fúngica associada às plantas nativas da região do Cerrado, bioma ameaçado pela expansão da grande fronteira agrícola brasileira. Com seus alunos e ex-alunos, descreveu mais de 20 novos gêneros e 105 novas espécies de fungos coletadas nessa região.

COLABORAÇÃO INTERNACIONAL – Em sua carreira, com mais de 40 anos dedicados à UnB, José Carmine Dianese foi responsável por liderar a implantação de duas pós-graduações – Ecologia e Fitopatologia –, que contou com a participação de pesquisadores estrangeiros, por ele convidados a vir para a Universidade quando diretor do Instituto de Ciências Biológicas (1972-1978).

Para montar a pós-graduação em Fitopatologia, trouxe três de seus colegas com PhD em Fitopatologia na UC Davis: os professores Chaw Shung Huang, Hasan Bolkan e Ming-Tien Lin, que trabalharam na construção e consolidação do Departamento. O curso, iniciado em 1975, é um dos exemplos da influência da instituição norte-americana no meio universitário brasileiro.

José Carmine Dianese lembra que, “na época tivemos o prazer da visita do Prof. Emil M. Mrak, então reitor da UC Davis, e que demonstrou admiração e respeito pelo trabalho que nós, ex-alunos da Universidade, realizávamos na UnB”.

O grupo fundador contou ainda com a participação dos pesquisadores brasileiros Armando Takatsu, Elliot W. Kitajima, Cláudio Lúcio Costa e Francisco P. Cupertino - atualmente professores eméritos da UnB.

José Carmine Dianese destaca que, além do treinamento recebido em Fitopatologia, a influência da UC Davis na sua formação veio a convencê-lo da importância da Ecologia para a sociedade e a ciência contemporânea. Nesse sentido, ressalta a inspiração por ele colhida no ambiente acadêmico rico que vivenciou, em uma época de grande agitação política nos Estados Unidos da América, principalmente na Califórnia.

“Vivi a revolta popular contra a poluição e a degradação do meio ambiente, os protestos contra a Guerra do Vietnam e os efeitos deletérios de substâncias químicas como o agente laranja. Percebi, com clareza, que o Brasil – como fronteira agrícola em expansão nos anos 1970, acoplada a uma industrialização continuada – não poderia prescindir de uma política ambiental sadia, que obrigatoriamente teria de se originar nas universidades. Daí meu compromisso com a criação do setor de Ecologia no Instituto de Ciências Biológicas, hoje um importante Departamento”, ressalta.

Com parte de um orçamento de US$ 1 milhão, aprovados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), contratou um grupo de ecologistas do Reino Unido, liderados pelos professores David Gifford e Jim Ratter. A equipe implantou um setor de Ecologia no IB, que gerou um Mestrado ainda em 1976, quando a discussão sobre a relevância desse tema ainda era incipiente.

EXCELÊNCIA ACADÊMICA – Cientista capaz de entusiasmar seus alunos e colegas com a competência, sem desprezar o rigor e a disciplina necessários ao trabalho acadêmico, José Carmine Dianese ressalta os valores que norteiam seu trabalho: “Meu propósito sempre foi atuar com os problemas de interesse nacional, seguindo parâmetros internacionais e me submetendo à crítica isenta dos bons periódicos, buscando a excelência no ensino e na pesquisa. Aliás, isso faz parte da missão original da UnB, legada por Darcy Ribeiro, fundador da Instituição”, defende.

Nesse sentido, o professor defende a importância dos trabalhos de pesquisadores, professores e estudantes receberem uma crítica isenta, internacional, através da submissão de suas publicações às exigências dos melhores periódicos científicos estrangeiros. “Para o progresso científico realmente ocorrer é fundamental que os nossos estudantes e professores se beneficiem, através de uma inserção internacional permanente, dos frutos da melhor ciência realizada no mundo, conheçam e se balizem pelos paradigmas de ensino e de avaliação das melhores instituições internacionais”, defende.

TRAJETÓRIA – Natural de Santo Antônio do Monte (MG), José Carmine Dianese ingressou na UnB como professor em 1971. No ano seguinte, tornou-se Diretor do Instituto de Ciências Biológicas, aos 32 anos, e deu início à implantação dos Departamentos de Fitopatologia e de Ecologia. Ele é agrônomo pela Universidade Federal de Viçosa, mestre em Fitopatologia em 1964 e doutor na mesma área em 1970 pela Universidade da Califórnia Davis. Foi o segundo brasileiro a se doutorar em Fitopatologia nos Estados Unidos; diretor do Instituto de Ciências Biológicas da UnB (1972 a 1978), e ainda professor visitante na Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, entre 1980 e 1981.

Aposentado em 1992, concursou-se novamente como professor adjunto em 1993 e foi aposentado compulsoriamente em 2010. Mesmo aposentado, continua seu trabalho de ensino e pesquisa: o último artigo publicado no exterior é de 2012, com outro já aceito para 2013. Orienta três estudantes de doutorado. Possui 117 artigos, livros e capítulos de livros publicados e mais de 300 trabalhos em conferências nacionais e internacionais. Realizou palestras e conferências em universidades e instituições de ensino e pesquisa dos Estados Unidos, Austrália, Inglaterra, Holanda, Japão e China.

Como orientador, treinou diretamente 37 fitopatologistas, 15 dos quais são hoje professores universitários no Brasil, seis deles na UnB, além de um professor na Universidade de Tarapacá no Chile. Além disso, a pós-graduação em Fitopatologia formou quase 300 mestres e doutores. Três dos professores do Departamento de Fitopatologia foram encaminhados por ele para a Universidade da Califórnia e, mais uma dezena de seus ex-alunos de mestrado e estagiários de graduação, foram igualmente por ele apoiados e concluíram com sucesso o doutorado em excelentes universidades no exterior.

O reconhecimento internacional o levou a ser presidente da Associação Latino-Americana de Micologia e seu membro honorário, bem como membro honorário da Mycological Society of America. Além disso, é membro do Executive Committee da International Mycological Association, do Mycology Committee da American Phytopatological Society e da International Commission on Fungal Taxonomy.