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Comissão UnB 50 Anos homenageia fundadores

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Escrito por Fernando Molina, da Comissão UnB50anos

Reunião debate atividades desenvolvidas em 2012 e planeja ações para o próximo ano. No encontro, participantes assistiram depoimentos dos professores Isaac Roitman e José Carlos Coutinho.

Um clima de emoção, memória e afetividade tomou conta da 27ª reunião da Comissão UnB 50 Anos, realizada na tarde desta segunda-feira, 12. O encontro contou com a presença do reitor José Geraldo de Sousa Junior e dos professores Ivan Camargo e Sônia Báo, escolhidos pela comunidade acadêmica, em primeiro lugar, na lista tríplice para reitor e vice encaminhada à presidenta Dilma Rousseff.

A reunião marcou a inauguração dos painéis com fotos dos fundadores Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira na Reitoria. “As imagens dos nossos fundadores trazem inspiração para o trabalho desenvolvido na Universidade de Brasília”, relatou o professor Isaac Roitman, idealizador da homenagem e membro da Comissão UnB 50 Anos.

A sessão debateu atividades desenvolvidas para a celebração do cinquentenário desde 2011 e as ações previstas para o período até abril de 2013, quando se encerra a celebração do Jubileu da UnB.

O reitor José Geraldo avaliou de forma positiva o trabalho desenvolvido. “Em parceria com as unidades acadêmicas, a Comissão realizou atividades, pautou o cinquentenário na agenda da UnB e também serviu como relevante laboratório de ideias, aproveitando o conhecimento acumulado por seus membros", avaliou.

Ivan Camargo parabenizou a Comissão UnB 50 Anos pelas ações realizadas e assegurou que a atuação da Comissão terá prosseguimento durante a próxima gestão. “É uma honra estar em uma reunião como esta, com um grupo de professores pensando a universidade. Este trabalho tem que continuar”, disse o professor Ivan Camargo.

Foto: Paulo Castro/UnB Agência

O futuro reitor ficou especialmente impressionado com o gesto do professor Vladimir Carvalho, que está doando para a UnB um valioso acervo de objetos cinematográficos, filmes, obras de arte, livros e a casa que os abriga (mais informações, clique aqui e assista nosso vídeo).

Coordenador Executivo da Comissão, o professor Fernando Oliveira Paulino fez apresentação sobre as iniciativas desenvolvidas, incluindo uma linha do tempo, iniciada em 2011 com a definição do selo comemorativo, lançado em 15 de dezembro do ano passado, quando foram comemorados os cinquenta anos da lei de criação da UnB.

RETROSPECTO - Reunião especial e emocionada do Conselho Universitário em 21 de abril de 2012, sessões solenes no Congresso Nacional e na Câmara Legislativa, Chamada Pública organizada pela Comissão UnB 50 anos e Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura. Tudo passou em revista nesta que foi a última reunião sob a presidência do reitor José Geraldo de Sousa Junior, que tem o fim de seu mandato marcado para o próximo dia 18.

Nos próximos meses, a Comissão acompanha a realização e prestação de contas de iniciativas aprovadas pela Chamada Pública e lança edital, em parceria com a Secretaria de Cultura, para premiar produções artísticas de celebração do Jubileu. Também está na agenda o lançamento de publicações que receberam o selo do cinquentenário e o acompanhamento de doações comemorativas.

Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e membro da Comissão, o professor José Manoel Morales Sánchez lançou a proposta de retomar a campanha pela rádio UnB e a entrada da UnBTV como canal aberto no sistema digital, como parte da última etapa dos trabalhos da comissão. “É uma meta audaciosa, que tem o poder de catalisar uma série de outras ações no âmbito da comunidade universitária”, refletiu.

DOAÇÕES - A professora Dácia Ibiapina apresentou à Comissão o relatório sobre a transmissão gratuita de bens que o cineasta e professor emérito da UnB Vladimir Carvalho está fazendo.

Além dos objetos que compõem o acervo da Fundação Cinemória e da casa que os abriga, Vladimir pretende passar para a UnB o direito patrimonial de seus 23 filmes; produção de renome internacional que contém obras como O País de São Saruê, Conterrâneos Velhos de Guerra e Barra 68.

Outro gesto nobre de um professor emérito, relembrado na reunião desta segunda-feiram foi a doação feita pelo artista plástico Milton Ribeiro, que completou 90 anos no dia 19 de outubro. Ribeiro está entregando à Universidade um acervo de 250 obras de sua autoria, dentre as quais, retratos feitos nos primeiros anos de Brasília.

PRÁTICAS REALIZADAS - Lançado em julho como um convite para que as unidades acadêmicas e centros de custo apresentassem propostas, a Chamada Pública UnB 50 Anos contemplou 51 iniciativas.

Uma delas foi o Participar, software desenvolvido por professores e alunos da Ciência da Computação, voltado para a alfabetização de adultos com deficiência intelectual. Com o recurso do edital foi possível reproduzir o programa e distribuí-lo para escolas públicas do Distrito Federal, de outros estados brasileiros e para países africanos de língua portuguesa.

Há duas semanas o software recebeu um prêmio nacional da revistaARede, tendo concorrido com entidades de porte e projetos milionários. “É possível vencer muitos obstáculos quando trabalhamos com amor e boa vontade”, declarou, à Comissão, o professor Wilson Henrique Veneziano, coordenador do projeto.

Veneziano agradeceu o apoio recebido pela Comissão e pela UnBTV e informou que o software desenvolvido por sua equipe já é utilizado em diversas escolas e que o GDF está investindo em capacitação docente para a utilização do programa.

Recursos da Chamada Pública também foram usados na realização do seminário Gestão da Memória: diálogos sobre políticas de informação, documentação e comunicação para a Universidade de Brasília.

“É preciso mais integração e o aperfeiçoamento dos fluxos e processos informativos na UnB”, concluiu a professora Elmira Simeão, uma das responsáveis pelo evento e Diretora da Faculdade de Ciência da Informação, com a expectativa de que os resultados do seminário sirvam para o aperfeiçoamento da gestão da informação nos próximos anos.

Além dos projetos que participaram da chamada pública, dezenas de outras iniciativas receberam a chancela da Comissão UnB 50 Anos. Reedição de livros e CDs, eventos, produção de filmes, exposições e muitas outras atividades receberam da Comissão a permissão de usar o selo do Jubileu em seus produtos.

Na reunião desta segunda, três outros projetos editoriais foram certificados com o selo comemorativo. Os livros Planejamento e Urbanismo: objeto, método e instrumentos, coordenado pelo professores Aldo Paviani, Suely Gonzales e Jorge Francisconi; Da Universidade Necessária à Universidade Emancipatória, de José Geraldo de Sousa Junior e Comunicação Pública em Debate, de Fernando Oliveira Paulino.

Foto: Paulo Castro/UnB Agência

MEMÓRIA COMPARTILHADA - Os participantes da 27ª reunião da Comissão UnB 50 Anos também tiveram a oportunidade de ouvir o relato de memórias de dois personagens que fazem parte da história da UnB. Os professores eméritos José Carlos Coutinho, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, e Isaac Roitman, do Instituto de Ciências Biológicas, brindaram os integrantes com informações que remontam as origens da UnB. Em seu relato, intitulado 40 anos de humor e outros delitos, Roitman contou que chegou à Brasília em 1972 e capitaneou uma série de atividades pioneiras, como a criação da pós-graduação do curso de biologia molecular e a difusão da iniciação científica para estudantes do ensino médio.

O gaúcho e arquiteto José Coutinho relatou como foi chegar numa universidade tomada pelo medo e pela repressão, para lecionar em um curso que havia sido projetado para ser a vanguarda do pensamento, mas que estava sendo esmagado pelos coturnos militares. “Eram dias em que livros precisavam ser escondidos para não serem apreendidos”, relatou.

Episódio marcante da história de Coutinho foi ter sido um dos dois únicos votos contrários à expulsão de alunos da universidade em 1977, em ação promovida pela reitoria durante o regime militar. Por força da mobilização dos estudantes, que buscaram apoio jurídico, a reitoria foi obrigada a criar o Conselho Universitário para validar sua ação. Dentre os estudantes expulsos, estava a deputada federal Érika Kokay (PT-DF).

“Embora essas lembranças nos façam sofrer, trazem a alegria e a consciência do dever cumprido.”, compartilhou Coutinho. “Hoje, olhando à distância, considero um privilégio poder ter participado desta história”, ressaltou.