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Comissão UnB 50 Anos faz balanço das atividades do Jubileu

Categoria: comissao
Escrito por Fernando Molina

A reunião foi brindada com a notícia do prêmio concedido pela revista ARede para a equipe que desenvolveu o software Participar.


Foto: Emília Silberstein/UnB Agência

Tudo o que a comunidade universitária viveu nas últimas semanas – seminários, shows, exposições, espetáculos, debates, reflexões e memórias – passou em revista na 26ª reunião da Comissão UnB 50 Anos, realizada na tarde de terça-feira, 30.

O reitor José Geraldo Sousa Júnior – ao abrir a penúltima reunião da Comissão em sua gestão – fez um balanço das atividades recentes. Bumba-meu-boi, Flaac, Boaventura de Sousa Santos, mostra de filmes, Comissão da Verdade e da Memória, exposições, semana universitária, shows: a lista de atividades quase não tem fim. E a de participantes, também. Os Diálogos do Reitor com Estudantes, projeto que coloca o reitor da universidade em conversa direta com alunos do ensino médio, trouxe ao campus cerca de 15 mil alunos e quatro mil professores.

A programação continua nas próximas semanas, repleta de eventos ligados ao jubileu da Universidade de Brasília. Agende-se:

6 de novembro, 10hs – Reunião da Comissão Anísio Teixeira da Memória e da Verdade: na oportunidade será assinado do acordo de cooperação entre a Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade e a Comissão Nacional da Verdade.

13 e 14 de novembro – Seminário Diálogos entre Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, no Beijódromo.

14 de novembro, 18h30 – Abertura da exposição BCE 50 Anos, eu também faço parte desta história, na Biblioteca Central. A página comemorativa com informações e fotos históricas e atuais da biblioteca pode ser acessada em: www.50anos.bce.unb.br.

11 de dezembro, 18hs – Apresentação do documentário Promemeu – História e Memória em Construção, sobre o Projeto Memória do Movimento Estudantil, Produzido numa parceria do Centro de Documentação com a UnB TV. No Auditório Dois Candangos.

A reunião foi brindada também com a notícia, em primeira mão e na primeira pessoa, do prêmio nacional recebido pela equipe do professor Wilson Veneziano, da Ciência da Computação, pelo desenvolvimento do software Participar. Trata-se de um projeto de professores e alunos para auxiliar a alfabetização de jovens e adultos com de deficiência intelectual.

Participar contou com a parceria da UnB TV na produção dos 600 vídeos que integram o programa, e está sendo distribuído no Brasil e em países africanos de língua portuguesa. A premiação veio da revista ARede, editada em São Paulo e dedicada à inclusão digital como via de cidadania e educação. Ao dar a notícia do prêmio, o professor Veneziano agradeceu à Comissão pelo apoio que garantiu a duplicação das mídias com o programa. “Com amor, a gente consegue superar desafios e adversidades”, concluiu coordenador do projeto.

HISTÓRIAS E PERSONAGENS – “Os meus primeiros livros, quando estudava em escola de freiras, lá em Caetité, na Bahia, foram comprados na livraria que pertencia às irmãs de Anísio Teixeira”. Foi assim que a professora Adalgisa Maria Vieira do Rosário, do Departamento de História, iniciou o relato de suas memórias de 42 anos dedicados à Universidade de Brasília. As conexões indiretas com a UnB não ficaram por ali. De Caetité, ainda jovem, mudou-se para Montes Claros, Norte de Minas Gerais, terra de Darcy Ribeiro.

Em 1965 a jovem Adalgisa foi obrigada a deixar o País portando um passaporte falso, para fugir da perseguição da ditadura militar. Seu crime: fundar o Centro Acadêmico da Universidade Católica de Belo Horizonte.

Com seu ingresso no quadro de professores da UnB, em março 1970, a Universidade não seria mais a mesma. Adalgisa incentivou a criação dos CAs dos cursos de História, de Arquitetura e de Comunicação, bem como a criação dos cursos de pós-graduação nos diversos departamentos, e ainda participou da criação do Programa Infanto-Juvenil (PIJ), que atua até os dias de hoje. “Eu tinha o compromisso não só de lecionar história, mas de fazer história”, confessou a professora.

Foi no departamento de História que Adalgisa criou outro movimento inédito na UnB: a documentação do movimento estudantil. Em conjunto com estudantes, em meados nos anos de 1980, a professora iniciou a organização de documentos ligados ao CA de História, mas logo percebeu que era preciso guardar a memória do movimento estudantil de toda a universidade. “É uma história bonita? Feia? Não, uma história real”, reflete a professora e militante, sobre a universidade, seus professores e alunos e sua importância para a região Centro-Oeste e para o Brasil.

O depoimento da professora Adalgisa foi gravado pela UnB TV e em breve será veiculado pelo canal.