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Depoimento: o ilustrador Fernando Mignot fala sobre a importância de se fazer um curso superior

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Atualmente servidor público da UnB, o desenhista Fernando Mignot conta sua relação de pertencimento com instituição mesmo sem terminar os cursos que ingressou.

Nascido em Niterói (RJ) em 1954, o servidor da UnB do setor de arquivos, Fernando Mignot, começou trabalhar cedo como desenhista tanto para órgãos do Exército e Ministério da Fazenda. No começo da década de 80, enquanto ele estava no Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) do Rio de Janeiro, surgiu a oportunidade de vir para Brasília, onde aproveitou para ingressar no curso de arquitetura na Universidade de Brasília. Mas a sua rotina profissional o impediu de terminar o curso.

Reconhecido por seu trabalho como desenhista a partir da técnica da aerografia, Fernando foi bastante solicitado por empresários e publicitários de Brasília por desenhar projecões de futuras construções a exemplo de blocos residenciais da Asa Norte, do Brasília Shopping e do prédioAssis Chateuabriand no SRTVS. “Eu era ilustrador, mas não trabalhava com Agência, trabalhava sozinho. Entáo, as agências de publicidade davam muito em cima de mim, é claro”, lembra.

Após diversas mudanças tecnológicas na área, o servidor considera que o fato de não ter se atualizado a partir de um curso superior o deixou de fora desse mercado. Recentemente, Fernando voltou para a UnB ao prestar concurso público para nível médio. Em conversa com a equipe do portal UnB50Anos, aproveitou para deixar algumas mensagens para a UnB em seus 50 anos e contar um pouco de sua história para os futuros estudantes. Confira:

Ousadia: meus desenhos com aerografia
Meus desenhos causavam certo alvoroço na área de publicidade e arquitetura. Um marco foi esse prédio, o primeiro que desenheu à noite: o Brasília Shopping. Eu tive a ousadia de fazer ele a noite com iluminação, faróis de carro e tudo mais. O empresário, dono do prédio, acabou gostando muito e o clocando na primeira página de propaganda do Correio Braziliense. Eram aerógrafos muito especiais, pois não tinha computação gráfica na época. Então, de que forma a gente tinha que fazer isso? Tinha que ter muita técnica.


A técnica da aerografia x computação gráfica
Os meus desenhos são todos da década de 80 e 90 e são chamados de perspectiva. Primeiro, eles passam na minha mão, passa na mão do arquiteto e do engenheiro para projetar, depois passa na mão do construtor que vai encomendar a publicidade. Eu voava de ultraleve, ou helicóptero, para fotografar a área sem o prédio construído. Mas eu queria tudo exatamente como era, para ficar bem real. Para você ter uma ideia, o computador surgiu ali nos meados da década de 80 e 90. O que tinha de melhor era um programa francês, e os arquitetos me alertavam: olha, isso daí tá entrando no mercado, isso aí vai te prejudicar. E é essa a história que eu gostaria de passar.

A importância da formação
Eu fiquei de fora desse mercado por não estudar, por não me especializar, mesmo sabendo que tinha uma coisa muito forte entrando no mercado, os grandes computadores da IBM e depois os grandes programas. Eu não tinha tempo, nem mesmo para aprender a mexer no AutoCad, quando ele foi lançado. o AutoCad é projetivo, mas eu já tinha desenvolvendo desenhos para perspectiva e tridimensionalidade. Tinha que saber aerografar muito bem.

A relação das ilustrações com o estudo
Quem trabalhava com perspectiva era, normalmente, quem entendia de arquitetura e arte. E eu eu não aprendi isso na escola. A gente só aprendia a geometria descritiva, plana e a perspectiva. Aqui na UnB eu não terminei o curso de Arquitetura, nunca me formei. Eu cheguei a entrar em Artes também, mas acabei não concluindo. Então, acho muito importante dizer isso para os alunos atuais, nunca deixe de se atualizar. Eu tinha muito trabalho, muito serviço, não conseguia fazer para o Brasil inteiro, em alguns trabalhos para o restante do Brasil e um ou dois para o exterior. Os empresários daqui de Brasília me alugavam de tal forma, eram tantos lançamentos, inclusive com a construção do Sudoeste e o término da Asa Norte, foi muito trabalho e eu não tinha pessoas para trabalhar comigo.

Vontade de voltar
Quero voltar a fazer Arte, mas gosto de publicidade. Gostaria de associar os dois.  Antes, nós tinhamos uma leitura poética para as coisas. Então, eu fico maravilhado quando vejo um cartaz publicitário.

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