Artigos

Primeiro funcionário relata sua trajetória na UnB

Categoria: perfis_depoimentos
Escrito por Leyberson Pedrosa

Raimundo Nonato de Souza dedicou mais de 31 anos de sua vida a uma universidade em plena construção. Aos 80 anos, Raimundo conta um pouco de sua trajetória para o hotsite UnB 50 Anos.

Raimundo Nonato é um nome bastante comum no Brasil. Mas o aposentado Raimundo Nonato de Souza se destaca dos demais quando o assunto é UnB 50 Anos. Seu Raimundo pode ser considerado um dos primeiros ou até mesmo o primeiro funcionário da universidade. Saiu da Parnaíba, Piauí, para viver em Brasília em 19 de março de 1960, antes mesmo da inauguração oficial da capital. Mal sabia ele que se envolveria diretamente nos trabalhos administrativos da UnB.

Trabalhou no Hotel do Lago, localizado próximo ao Palácio do Alvorada. Depois, foi indicado para atuar como escrivão de polícia em um galpão improvisado que comportava tanto a delegacia quanto a prisão local.

-- Não suportei aquele clima pesado. A primeira impressão de Brasília não foi muito boa. Nada estava funcionando, só havia canteiro de obras e não tinha serviço para o que eu fazia, pois eu era um burocrata. Havia muitos serviços para carpinteiro, pedreiro. Mas atrás de um mesa de escritório não tinha.

Sem ofício certo, passou a trabalhar no setor de encomendas de uma empresa de transporte aéreo. Na época, morava na Cidade Livre (atualmente Núcleo Bandeirante). Quando a UnB foi fundada em 1962, Raimundo passou a organizar o serviço de pessoal dentro da instituição. Ele lembra, inclusive, do dia em que teve sua carteira assinada: 8 de março. Assim, ao longo dos anos, foi chefe de gabinete, de serviço, organizou provas de vestibular e tantos outros serviços técnicos que o fizeram ser bastante conhecido por professores e estudantes.

Aos 80 anos, seu Raimundo contou ao Hotsite UnB 50 Anos que fez de tudo pela instituição em uma época que “ela não tinha crédito nem para comprar uma caixa de fósforo”.

No início da ditadura em 1964, a UnB chegou a ter uma fase financeira melhor. Como troca, a comunidade acadêmica vivenciou um forte período de repressão do governo.

-- Foi terrível. Eu trabalhava nos prédios onde era o Departamento de Música. Os militares pegavam tudo do armário, pegaram livros importantes da biblioteca que estava em um barracão e colocavam fogo em tudo, dizendo que eram subservisos.

Depois de 1985, a UnB voltava a retomar sua autonomia. Desde então, seu Raimundo continuou a contribuir para a consolidação da universidade. Mesmo após 1993, quando se aposentou com 31 anos de serviços prestados, atuou na UnB por meio de convênios como outros órgãos públicos. Em 2004, resolveu voltar para sua cidade natal, Parnaíba, para viver com a família.

Durante a entrevista, o então primeiro funcionário da UnB enfatizou que sua jornada teve tanto momentos de grandes conquistas quanto de derrotas e chegou a ser colocado à disposição no serviço de pessoal, o que o obrigou a recomeçar sua escalada dentro da UnB após vários anos de trabalho. Atuamente, prefere colecionar apenas documentos e cartas que retomam os momentos de reconhecimento de sua dedicação.

Mas em uma universidade que comemora 50 anos, Nonato considera que o maior presente à instituição foi o seu trabalho e deixou um recado aos demais:

-- O que eu poderia dar era parabéns e votos de felicidade, de progresso, apesar dos percalços. Eu não tenho raiva das coisas ruins da UnB, eu amo a UnB. Afinal, passei boa parte da minha vida nela. Da mesma forma, espero que os atuais técnicos exerçam a função com muito carinho e não se deixem por ganancias. Sejam honestos, não queiram nada do outro. Afinal, o que tiver que conseguir será por nosso trabalho.