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Dúvidas em vez de certezas

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No dia 21 de abril de 2012 a UnB completou 50 anos, podendo ser considerada uma senhora. Em termos mundiais, 50 anos para uma universidade são uma fração muito pequena, tendo em vista que existem na Europa instituições com 800 anos.

No dia 21 de abril de 2012 a UnB completou 50 anos, podendo ser considerada uma senhora. Em termos mundiais, 50 anos para uma universidade são uma fração muito pequena, tendo em vista que existem na Europa instituições com 800 anos. Na América Espanhola há Universidades com mais de 300 anos, fato que não ocorre com o Brasil, já que o colonizador português proibia esse tipo de instituição e, após a independência, o império brasileiro não se sensibilizou pela importância da Universidade no desenvolvimento social e econômico do nosso país.

Felizmente as coisas mudaram e hoje temos até um programa do governo federal nominado Ciência sem Fronteiras. Mesmo assim, em termos de Brasil, 50 anos é uma idade considerável e provavelmente a UnB cabe no seleto grupo das 20 Universidades brasileiras mais antigas.

Dos 50 anos de UnB, não participei somente dos 20 primeiros. Naquela época a bandeira principal dos docentes e discentes era a luta pela democracia. O medo era tão intenso, que não existia movimentação do corpo técnico administrativo. Estávamos no governo João Figueiredo, aquele que preferia o cheiro de cavalo a cheiro de gente, que sintetiza o oposto daquilo que era pregado pelo professor Darcy Ribeiro.

Também nessa época a maioria dos professores pertencia a uma categoria denominada de “colaboradores”, cujos contratos com a FUB eram renovados semestralmente, após análise da mesa executiva. Essa situação implicava uma enorme barreira às manifestações de pensamentos e ideias. Alem de colaboradores, a maioria de nós portava apenas o titulo de mestre, e para sairmos para o doutoramento éramos obrigados a renunciar à metade de nossos salários.

Hoje vivemos num ambiente democrático, com eleições para todos os cargos, com liberdade para manifestarmos o que pensamos e o que desejamos para nossa instituição. A mesa executiva é coisa do passado. Dentro do contexto UnB, gostaria de citar a Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, que faz presença na UnB desde 1966 com o curso de graduação em Agronomia.

Em 1997, criamos o curso de graduação em Medicina Veterinária e em 2010, o de graduação em Agronegócios. Em 1995, foi criado o nosso primeiro programa de Pós-Graduação, de forma que hoje oferecemos à sociedade brasileira quatro programas de Pós-Graduação, três deles com doutorado.

Após enumerar as conquistas da FAV, que também são conquistas da UnB, não podemos deixar de alertar que nem tudo são flores: nem para a FAV nem para a UnB. A expansão via REUNI quase dobrou o número de alunos e no caso do número de professores houve um salto de aproximadamente 75%, mas não foi observada expansão correspondente em espaço físico e principalmente no quadro de servidores técnicos.

Considerando os problemas enumerados acima, acredito que a UnB merece e precisa de um presente, e, eu me atrevo a sugerir um. O que gostaria de dar à UnB é que as suas diversas ramificações políticas se entendessem melhor. Para tanto, sugiro “que as certezas de cada um de nós sejam trocadas por dúvidas”.