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Antonio Ibañez relembra sua gestão como reitor

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Escrito por Luiz Fernando Molina, Secretaria de Comunicação

Engenheiro espanhol, naturalizado brasileiro, lançou livro de memórias sobre seus anos à frente da UnB

“Quando sou reconhecido, na maioria das vezes, é por causa da UnB”, declarou o engenheiro que atualmente integra o Conselho Nacional de Educação e que também foi, dentre outros cargos, Secretário de Educação do Distrito Federal.

A participação de Antônio Ibañez na reunião da Comissão foi a primeira de ex-reitores. No próximo encontro (Salão de Atos da Reitoria,18/3, às 14h), está agendada a presença dos professores Cristovam Buarque (reitor entre 1985 e 1989) e João Claudio Todorov (gestor de 1993 a 1997).

Parte das memórias compartilhadas por Ibañez está em seu recém lançado livro Em tempos de pensamento inquieto, escrito em parceria com Clodomir Ferreira, professor aposentado da Faculdade de Comunicação.

O espanhol naturalizado brasileiro, que chegou à UnB em1967, divide sua atuação frente à reitoria em quatro eixos. O primeiro, gestão democrática. “Trouxemos à tona o orçamento da universidade e o colocamos na mão da comunidade acadêmica”, contou Ibañez. “Para isso, tivemos uma participação expressiva dos órgãos colegiados”, avaliou.

Outro ponto destacado foi relativo ao patrimônio. Partidário de que os imóveis da UnB não poderiam ser transformados em gastos de custeios, a reitoria efetuou mudanças em comum acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), trocando projeções por prédios já construídos. O aluguel gerou recursos que foram aplicados diretamente nos cursos.

“Autonomia é algo que se conquista, não é dada”, declarou Ibañez ao tratar de outro eixo de sua gestão. O ex-reitor contou que foi obrigado a entrar com um mandato de segurança contra o MEC, que queria, dentre outras medidas, padronizar a identificação de carros da UnB.

Dentre as ações estratégicas, seu quarto eixo de ação, Ibañez destacou a prioridade dada aos cursos de graduação, especialmente na formação de professores para o ensino básico. “Destinamos 60% dos recursos advindos dos aluguéis aos cursos de graduação”, relatou. “Em quatro anos, formamos mais professores do que nos trinta anos anteriores de existência da UnB”.

Para Ibañez, as questões políticas mais importantes do país eram discutidas na UnB. “Atualmente, é preciso promover mais debates sobre o presente e o futuro da Universidade”, estimulou o ex-reitor, citando a importância de uma reflexão que leve em conta o livro Adios a la Universidad, publicado por Jordi Llovet em 2011.

Ibañez criticou a transformação das universidades em centros técnicos. “É preciso falar de inovação não só em questões tecnológicas, mas também em temas relacionados à educação, à formação de docentes”, propôs.

O professor emérito Isaac Roitman, membro da Comissão UnB 50 Anos, comentou o depoimento do ex-reitor afirmando que a formação de professores ainda é um desafio. “Infelizmente, há deficiência quantitativa e qualitativa no país”, diagnosticou Roitman.

Clodo Ferreira contou à Comissão que ao entrevistar, para a produção do livro, colegas que haviam trabalhado na reitoria vinte anos atrás, constatou que a convicção do grupo permanece a mesma. “O compromisso de se construir uma universidade melhor se mantém vivo entre as pessoas”, relatou.

A professora Maria Jandyra Cavalcanti Cunha atuou na cooperação internacional da UnB durante o mandato de Ibañez. Para ela, a gestão foi importante para consolidar modelo de administração democrático e por incluir a língua espanhola nos vestibulares. “Tal medida contribuiu para uma nova fase de interação com os demais países da América Latina”,
declarou.

Membro da Comissão UnB, o professor emérito José Carlos Coutinho destacou a entrega do título de Doutor Honoris Causa para Nelson Mandela, em 1990, como um dos momentos de destaque da administração de Ibañez. Coutinho também comentou sobre o espírito que permeava a universidade no período. “Havia convicção e empenho na atuação que a universidade deveria ter interna e externamente”, concluiu.

INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Outro ponto de destaque da reunião foi a apresentação da professora Gláucia Maria Gleibe de Oliveira sobre a história da iniciação científica da UnB.

Iniciado em 1994, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), atual Programa de Iniciação Científica (ProIC), recebeu alunos de diversos cursos. Muitos deles ocupam posições de destaque dentro e fora da carreira acadêmica.

“O PIBIC foi um marco porque parte da Universidade estava descrente dos órgãos de fomento”, comentou a professora Gláucia. Para ela, o sucesso do programa resultou do compromisso da reitoria e da atuação do comitê de acompanhamento, composto por professores da UnB.

A professora Lúcia Pulino, diretora da Editora UnB e orientadora de iniciação científica no Instituto de Psicologia, confirmou as informações apresentadas pela entusiasmada coordenadora do PIBIC. “Os momentos de avaliação eram um processo educativo”, declarou à comissão.

O professor Isaac Roitman entende que os programas de iniciação científica, que já atingiram a cifra de 80 mil participantes nas instituições de ensino superior brasileiras, estão consolidados na UnB e no Brasil. “Muitas universidades levaram em conta o modelo de gestão da UnB e o tomaram como referência”, informou.

O coordenador executivo da Comissão UnB 50 Anos, professor Fernando Oliveira Paulino foi bolsista de Iniciação Científica. Segundo Paulino, “é preciso realçar o estímulo do Programa para a participação em congressos regionais, nacionais e internacionais e o número de bolsistas do PIBIC que hoje se transformaram em docentes da UnB e orientadores”.

MEMÓRIA DISCENTE

Ex-aluno da UnB, Newton Marques compartilhou suas memórias com a Comissão UnB 50 Anos. Marques ingressou no curso de economia em 1972 e relembrou o período conturbado devido ao patrulhamento ideológico que existia. “A gente não tinha aquela liberdade de se organizar em grupos. Havia restrições de poder trabalhar ativamente a vida acadêmica”, relatou.

Concursado do Banco Central, Newton Marques trabalhou em diversos órgãos da administração pública e atua como professor no Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM).