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Bem vindas e bem vindos

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Escrito por José Geraldo de Sousa Junior

Discurso proferido pelo excelentíssimo reitor José Geraldo de Sousa na abertura da cerimônia de boas vindas aos calouros, em 26 de outubro de 2012.

Bom dia a todos e a todas,

Nós nos apresentamos nesta recepção que é, ao mesmo tempo, um modo de acolher afetivamente, de oferecer uma prestação de contas e de transmitir a confiança na construção de um semestre em que possamos aspirar realizar nossas expectativas e objetivos – e vocês também, ao entrar na universidade.

Quero cumprimentar os 4.168 alunos, um número que duplicou de quatro anos para cá. Estamos chegando a uma universidade expandida. Hoje, não só em nosso original campus Darcy Ribeiro, mas também em três novos campi, cujos diretores e diretora estão aqui presentes: Ceilândia, Gama e Planaltina.

Queria também cumprimentar os nossos estudantes de Educação à Distância, que nos acompanham pela UnB TV a cerimônia e todos os alunos – dos diferentes tipos de programas – que temos em nossa instituição.

Neste ano, o acolhimento se faz num momento celebratório, porque a UnB está completando 50 anos de idade. Vocês chegam em meio a Semana Universitária, com mais de 480 atividades sendo desenvolvidas em nossos espaços acadêmicos; incluindo o 18º Congresso de Iniciação Científica da UnB, que coincide com o 9º Congresso de Iniciação Científica do Distrito Federal.

E vocês chegam também em meio a um evento cultural de grande impacto na vida da cidade: o Festival Latino Americano e Africano de Arte e Cultura, o Flaac. Realizado pela primeira vez em 1987, para celebrar os 25 anos da UnB, ele se reinstala agora para comemorar o Cinqüentenário da nossa Universidade. São mais de 150 eventos envolvendo arte, cultura, teatro, fotografia, exposições, música e shows. Um evento extremamente mobilizador, que reafirma o nosso compromisso de integrar a UnB com as nossas raízes latino-americanas e africanas.

Aproveitem o momento de integração para percorrer essa programação riquíssima, que mobiliza não só a UnB, mas toda a cidade. Só da rede de ensino médio e fundamental nós temos 15 mil estudantes freqüentando as oficinas, as conversas com professores e com o reitor, a programação organizada pela Secretaria de Educação e pelo Projeto Rondon; além de quatro mil professores do ensino público que acompanham todas as atividades. Eu, ontem, até vi um grupo de turistas percorrendo o campus para conhecer a programação que os hotéis estão indicando como um dos eventos mais marcantes do calendário cultural da Cidade.

Tudo isso cria um clima de efervescência em nossa Universidade que, em seu Cinqüentenário se apresenta amadurecida na graduação, na pós-graduação e em suas atividades de extensão, em suas vivências comunitárias.

Quero agradecer a todos os decanos e diretores das áreas mais vinculadas às relações que vocês irão estabelecer aqui dentro. Vocês devem ter percebido, pelo Guia do Calouro, tudo que a instituição indica para a permanência de vocês aqui. Cada um dos que falarem vão apresentar um pouquinho do funcionamento e dar sugestões para vivência de vocês entre nós.

Mas eu queria sobretudo agradecer à Comissão de Acolhimento que preparou as boas-vindas, na presidência de Dalva Alcoforado e vice-presidência da Daniele Barreto, que organizaram essa atividade de orientação para integrar vocês nesta Semana, como pré-condição da integração ao campus. Quero agradecer às equipes que preparam a festa; à Banda Maquinada, um dos conjuntos da Universidade; e a uma outra, a Bateria Insana, que ganhou o Festival Universitário da Música Candanga da UnB, o Finca, e vai se apresentar logo mais. E que vocês comecem a se ligar ao desempenho cultural que exercerão durante o tempo de permanência aqui.

Queria dizer que a Semana prossegue e que na terça-feira nós culminaremos esse encontro com uma Aula da Inquietação. Esse é o título de uma grande palestra que, a cada semestre, nós preparamos para a recepção de vocês. Nós já recebemos aqui o professor Leonardo Boff, o médico e cientista Miguel Nicolelis, o rapper Gog, o navegador Amyr Klink, a atriz Clarice Niskier, o físico Ênio Candotti, o poeta Nicolas Behr, o ator Juliano Cazarré, dentre outros.

E na próxima terça-feira, 30 de outubro, teremos um dos maiores nomes da ciência política e da sociologia, um dos organizadores do Fórum Social Mundial, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos. Na segunda-feira, dia 29, ele recebe o título de Doutor Honoris Causa da nossa Universidade. Ele será saudado pela filósofa Marilena Chauí. Na terça-feira, proferirá sua Aula da Inquietação no Teatro de Arena, para a qual convido todos vocês, seus pais, seus amigos e seus colegas.

Cada um desses referenciais procura imprimir na mentalidade da nossa Universidade os seus valores originais. Hoje, 26 de outubro de 2012, se estivesse vivo, o nosso fundador e o formulador do projeto da UnB, Darcy Ribeiro, estaria completando 90 anos. A ideia dele era construir a universidade necessária, porque além de desenvolver o conhecimento em seu mais alto grau, ela deve ter o compromisso com o povo e, portanto, uma solidariedade social.

A UnB nunca fugiu a esse compromisso. E a sua expansão, a abertura democrática e a ampliação do acesso, a definição temática de valores que organizam o sentido do conhecimento que aqui preparamos é assumida como compromisso e lealdade. Darcy dizia que essas duas dimensões eram as lealdades da universidade com o povo brasileiro.

Então, vocês se colocam num momento muito diferente. É o momento de virada de um ciclo de realizações desse magnífico projeto. 50 anos em que pioneiros ajudaram a construir a melhor e mais representativa expressão do ideal brasileiro de universidade pública; como ficou inscrito no manifesto de pioneiros da educação nova, lançado 80 anos atrás. A UnB é este ideal. Tanto que participaram daquele manifesto dois outros fundadores da UnB: Anísio Teixeira e Hermes Lima.

Então, este ideal está aqui e seus pioneiros construíram essa utopia na UnB. Aos 50 anos, a utopia deve ser renovada e projetada para o futuro. Vocês formam um novo grupo de pioneiros, que se inscrevem nesse compromisso de conduzir a UnB para o seu futuro.

Então, sejam bem-vindos a esse momento tão vivo e renovador de nossa instituição. E se integrem a ela, recebam com carinho, se envolvam com aquilo que é o chamamento dessa semana, o convite ao diálogo e à reflexão. Vamos conversar ao longo desse período, vamos ensinar, mas vamos também aprender. Nós, todos juntos, somos ao mesmo tempo mestres e alunos. Porque nesse diálogo, enquanto ensinamos, aprendemos.

Pois, então, sejam muito bem-vindos e bem-vindas em mais um ciclo de nossa Universidade.

Hoje, circula em bancas de jornais o Guia Abril Profissões. Ele traz a relação de premiação das universidades brasileiras. A UnB tem, nesse guia, seus cursos avaliados. O guia lança três notas de qualidade: três estrelas, quatro estrelas e cinco estrelas. A UnB não tem nenhum curso três estrelas. Todos os cursos são quatro ou cinco estrelas.

No Guia também há uma indicação das oito melhores universidades brasileiras por áreas. A UnB, pelo quarto ano consecutivo, recebeu o título de melhor universidade pública brasileira na área de ciências sociais e humanas. Quero cumprimentar a todos os professores desses cursos; mas também a todos os professores, pois as demais áreas estão organizadas em torno dos cursos estrelados na relação desse guia. Assim como nós estamos altamente credenciados em todos os indexadores que divulgam a qualidade do ensino no País e no mundo.

A UnB está sempre numa posição de excelência, entre os melhores cursos do Brasil e da América Latina. É para essa Universidade que vocês chegam, mas são vocês o fator da qualidade que se renova.

Sejam bem-vindos e bem-vindas.